26/03/2012
TECNOLOGIA
Ilha Solteira tem a primeira praia acessível de água doce do país
Pessoas com deficiência utilizam cadeira de rodas anfíbia para se banhar na água do Rio Paraná; equipamento também é usado em cidades do litoral paulista
Da Redação da Revista Cyan

As cadeiras são produzidas com
pneu especial, que permite superar a dificuldade de locomoção na
areia e também não afundam dentro da água. Foto: Cris
Castello Branco
Situada a cerca de 730 quilômetros do mar, à beira do
rio Paraná, a
pacata Ilha
Solteira (SP) ganhou projeção no noticiário por ser a primeira
do Brasil a ter uma praia de água doce acessível a pessoas
portadoras de deficiência de locomoção. No litoral paulista,
Santos, Cananéia, Mongaguá, Itanhaém, São Sebastião, Ubatuba,
Guarujá e Iguape já têm iniciativas semelhantes.
A novidade são cadeiras anfíbias são produzidas com um
tipo de pneu especial, que permitem superar a dificuldade de
locomoção na areia e também não afundam dentro da água. Devido à
sua altura, é possível que o usuário entre na água em uma
profundidade não perigosa. Existe também a facilidade na
transferência para a cadeira, que possui braços removíveis. Confira
vídeo que
mostra deficientes físicos que fizeram o teste com o
equipamento.
Em Ilha Solteira, 10 equipamentos estão disponíveis na
Praia Catarina desde 15 de janeiro. A prefeitura mantém uma equipe
que monitora as pessoas com deficiência durante o uso. O
equipamento só pode ser utilizado com acompanhamento de um
facilitador, independentemente da condição física do usuário. As
cadeiras são disponibilizadas aos usuários sempre aos finais de
semana.
O equipamento, lançado em 2010 pelo projeto Praia
Acessível, da Secretaria de
Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, foi criado com
base em projetos semelhantes existentes na Europa e nos Estados
Unidos. O desafio era permitir que os usuários superassem a areia
da praia, além de permitir a entrada no mar em segurança. O
modelo de cadeira escolhido foi o usado nas praias francesas,
devidamente adaptado aos padrões nacionais de componentes
existentes no mercado.
Desde o início do projeto, aproximadamente cinco mil
pessoas já foram beneficiadas. O Brasil tem cerca de 24,5 milhões
de pessoas com algum tipo de deficiência. Esse número representa
14,5% da população brasileira, segundo a secretaria.
Para que uma cidade possa fazer parte do programa é preciso
obedecer a alguns critérios. O primeiro item é a praia oferecer
condições mínimas de acessibilidade, como rampas, piso tátil, vagas
específicas, banheiros acessíveis e postos de salvamento.