01/07/2011

AMBIENTE

Parte do Rio Xingu deve secar com Belo Monte

Construção de barragem vai reduzir vazão de água num trecho de 100 quilômetros
Da Redação da Revista Cyan


XINGUImagem aérea do rio, um dos principais da região amazônica

O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) autorizou, no início de junho, o início das obras da usina hidrelétrica de Belo Monte, considerada uma das mais importantes obras do setor energético do país. Localizada no Rio Xingu, que nasce no Mato Grosso, cruza o Pará e deságua no oceano Atlântico, ela terá 11.233 MW de potência instalada e será a terceira maior do mundo - atrás apenas das usinas de Três Gargantas, na China, e Itaipu, na fronteira do Brasil com o Paraguai.

Apesar de importante para o fornecimento de energia para o país, o projeto tem sido duramente criticado por ambientalistas em função dos danos que deverá causar ao meio ambiente e às populações que vivem em torno do rio, entre elas comunidades ribeirinhas e povos indígenas.

Um dos maiores problemas apontados pelos críticos do projeto será a redução da vazão num trecho chamado "Volta Grande do Xingu". Com a construção da barragem, essa parte do rio, com cerca de 100 quilômetros, terá seu volume de água drasticamente diminuído, podendo mesmo a vir a secar nos meses de estiagem.

Os ambientalistas dizem que se isso ocorrer os prejuízos para a fauna e a flora serão irreparáveis. Tribos indígenas e comunidades ribeirinhas que dependem do rio para extrair alimentos e o utilizam como meio de locomoção também serão seriamente prejudicados. Estima-se que torno de 13 mil índios de 24 grupos étnicos vivem às margens do Xingu.

A construção da usina, prevista para entrar em funcionamento em 2015, também causará inundações em Altamira - cidade paraense próxima à hidrelétrica -, provocará o desalojamento de 20 mil pessoas e causará grande destruição da Amazônia.

Clique aqui para ver um vídeo que mostra como será a construção da usina de Belo Monte e aqui para ler um relatório sobre seus impactos ambientais.

A Norte Energia, empresa responsável pelo projeto, contesta as críticas e diz que a usina trará vários benefícios socioeconômicos para as populações locais, como a geração de empregos e a melhoria na infraestrutura dos municípios próximos ao empreendimento.

 

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  • 01.07.2011
  • 19h07
  • Silmar Rockfeller
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Vista aérea do córrego do Crispim, feita a partir do balão do WWF-Brasil
Feito com estrutura de bambu, o viveiro será mantido e cuidado pela comunidade local
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Os incêndios são frequentes no entorno do córrego do Crispim, degradando a vegetação que protege o curso de água.
Travessia do córrego, rumo à foz.
Por falta de segurança e contaminação das águas, a população local deixou de frequentar as belas cachoeiras que se formam na foz do córrego Crispim, onde ele se junta ao córrego Alagados
Incêndios florestais são comuns à beira do córrego: um problema que o Projeto Bacias buscará minimizar.
Integrantes da expedição caminham rumo à foz do Crispim.