20/04/2011

Duas vidas

Os anfíbios conquistaram a terra há milhões de anos; hoje, lutam para sobreviver aos impactos do meio ambiente

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A ciência já registrou mais de seis mil espécies de anfíbios pelo mundo

A teoria da evolução explica que os seres foram se adaptando ao meio em que viviam para sobreviver, gerando a imensidão de espécies animais e vegetais ao longo de milhões de anos. Muitos contestam essa teoria, elaborada por Charles Darwin, o famoso naturalista britânico que propôs ao mundo que a evolução se dá por meio da seleção natural - espécies com características genéticas favoráveis sobrevivem ao longo do tempo.

Os anfíbios são vistos como um tipo de evidência da evolução das espécies. Esses animais foram os primeiros seres a conquistar a terra firme, enquanto todas as outras formas de vida dependiam da água para sobreviver. Na exposição Água na Oca, há uma lista com várias espécies que têm uma relação fundamental com o ambiente aquático.

Os primeiros anfíbios surgiram no Período Devoniano, há 350 milhões de anos, quando a Terra ficou mais quente e úmida. Esse clima propiciou o surgimento de pântanos e lagos, que eram pobres em oxigênio.  Para conseguir respirar, alguns peixes ósseos se transformaram em novas espécies que caminhavam desajeitadas pela terra em busca de ar.

Um dos primeiros vertebrados terrestres foi o Ichthyostega, descrito pelos cientistas como "um peixe com quatro patas". Suas pernas curtas comprovam que ele caminhava em terra firme, mas sempre voltava aos pântanos para nadar. Essa espécie tinha um estilo de vida semelhante ao das atuais salamandras, que são os anfíbios de caudas longas.

O nome anfíbio significa duas vidas, resumindo o ciclo de vida dos seres dessa espécie. Os girinos vivem exclusivamente na água, respirando por meio de brânquias assim como os peixes. Mas, após a metarmofose, a maioria das espécies deixa o ambiente aquático e desenvolvem pulmões e realizam também respiração pela pele.

A ciência registrou mais de seis mil espécies de anfíbio por todo o mundo. O número parece alto, mas a atividade humana vem causando sérios prejuízos a esse grupo de vertebrados.

Especialistas indicam que entre 60 e 75% de rãs, sapos, salamandras e cecílias estão ameaçados de extinção.

As principais causas para a morte de várias espécies são a poluição, o aquecimento global e uma espécie de fungo que infecta a pele dos anfíbios.

Para tentar frear a devastação, a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais criou um programa de preservação no Panamá, onde realizam estudos sobre esses animais. As pesquisas renderam até a descoberta de duas espécies de rãs, um fator positivo diante de um quadro desolador.

Aqui no Brasil, várias espécies de pererecas têm de se adaptar para sobreviver à escassez de água. Nas ilhas paulistas, onde não há rios ou lagos, elas têm de se virar para se reproduzir com a água da chuva ou o vapor de água que chega com o vento. Por isso, as pererecas do gênero Scinax não passam pela fase de girino, provando que, para sobreviver em tempos difíceis vale tudo.

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