18/04/2011

À beira da água

A diversidade de vasos e recipientes de civilizações antigas mostram a história da relação do homem com a água

As marcas que os povos antigos deixaram no passado dizem muito da sociedade em que vivemos hoje. A arqueologia, ciência que estuda os vestígios materiais de outras culturas, se empenha em decifrar a forma de vida dessas civilizações, e ver que um objeto de estudo mostra ser mais do que um elemento cronológico. O mesmo objeto é instrumento essencial para compreender o pensamento e os valores da sociedade ao qual pertenceu.

Na Água na Oca, estão expostas em uma vitrine vasos, vasilhas e recipientes que explicam a relação de algumas culturas passadas com a água. Podemos identificar, por exemplo, que uma moringa pequena e de boca larga era muito utilizada por uma comunidade com fácil acesso à água, os índios kadiwéu, do Mato Grosso do Sul.

Da mesma forma podemos notar que um vaso grande foi feito para carregar água a longas distâncias, e a boca estreita evitava contaminação e desperdícios. Esse tipo era muito usado na Grécia Antiga, região onde predominam as montanhas rochosas e o clima seco.

Segundo Maria Isabel D'Agostino Fleming, professora do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, a cerâmica é um elemento universal para a produção dos recipientes, presente na passagem da vida nômade à vida sedentária. "A cerâmica, em sua maior parte ligada à casa, sempre desempenhou um papel fundamental dentro da família e na comunidade."

Peças de cerâmica, de acordo com Fleming, têm enorme potencial para investigação das sociedades passadas. Suas diferentes formas e estilos a distinguem como objeto útil à vida doméstica, mas também são um meio de expressão social e cultural.

Na Oca, percebemos o apurado senso estético dos índios kadiwéu em produzir peças criativas e cuidadosas, como a moringa zoomorfa da foto acima.

Os vários tipos de vasos e recipientes mostram também a diversidade das funções que empregavam. "O abastecimento da água deveria suprir todas as necessidades não só no âmbito doméstico, mas nas esferas religiosa e funerária, nas quais os atos de purificação tinham um papel relevante", explica a professora.

As peças são importantes para compreender que a água, desde os primórdios da humanidade, é um elemento essencial para a vida. Cada civilização criou sua cultura, hábitos de vida e sobrevivência a partir da disposição do líquido na região onde viviam.

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