21/12/2010

A onda perfeita

Pororoca atrai surfistas do mundo todo para a Amazônia, em busca da onda mais longa do mundo

Em dia de lua cheia ou nova, quando a maré está alta, o encontro dos rios amazônicos com o Oceano Atlântico promove um espetáculo à parte. Nessa época, em especial nos equinócios, o choque dos rios com a água salgada proporciona um fenômeno extraordinário: a pororoca.

Como têm densidade diferente, as águas fluviais ficam confinadas pelo mar e retornam em forma de ondas de até quatro metros, com velocidade de 20 a 40 km/h.

A pororoca, embora muito perigosa, vem atraindo surfistas do mundo todo e ganhou status de atração turística nos estados do Amapá, Pará e Maranhão. O surfe na onda tem sido uma prática cada vez mais recorrente, desafio que só os mais experientes podem enfrentar. Isso porque os riscos em surfar nos rios amazônicos são bem maiores do que nas ondas do mar.

A aventura exige o uso de equipamentos especiais e planejamento para entrar e sair de uma onda, já que a qualquer momento pode se topar com um jacaré, uma cobra ou até um pedaço de madeira no caminho.

Por causa do seu efeito devastador, que arrasta árvores e provoca a erosão do solo, a pororoca é muito temida pelas comunidades ribeirinhas. Já houve casos de naufrágio de embarcações e mortes por causa do fenômeno. O silêncio que precede a pororoca é um aviso para os moradores da região procurarem um lugar seguro. Depois, vem a poroc-poroc, que na língua dos índios do baixo Amazonas significa "grande estrondo".

Surfar na pororoca é diferente do surf tradicional. O mar, por exemplo, proporciona várias ondas, enquanto que no rio só se embala numa onda longa e demorada. "Surfar numa onda do mar dura no máximo 15 a 20 segundos, enquanto que surfar na pororoca leva mais de 20 a 40 minutos", explica o surfista Serginho Laus.

Laus é referência em surfe na pororoca no Brasil e no mundo. O curitibano entrou pro Guinness Book em 2005, quando surfou uma pororoca de 10,1 km por 33 minutos, no Rio Araguari. O rio, localizado no Amapá, é o mais conhecido entre os surfistas por ter as pororocas mais potentes e perigosas da Amazônia. Numa instalação interativa na Oca você pode conhecer outros rios da região.

O surfista demonstra preocupação com a elevação do nível do mar. "A pororoca nada mais é do que uma onda de maré. Então, se ocorre um aumento elevado do nível das marés, há um reflexo instantâneo no fenômeno."

Motivada pela preservação da região amazônica, a equipe de Laus fundou o Instituto Pororoca, que estimula o turismo ecológico e gera renda para as comunidades ribeirinhas.

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