20/12/2010Serviço sujo
Detergentes não-biodegradáveis poluem rios e córregos

A espuma se forma porque os micro-organismos dos rios não
conseguem quebrar as
moléculas de detergente
Quando lavamos a louça, deveríamos ter como preocupação
principal evitar o gasto excessivo de água. Se, enquanto você
ensaboa os utensílios, deixar a torneira 15 minutos aberta, 117
litros de água potável, limpinha, vão direto para o ralo. Um painel
interativo da exposição Água na Oca mostra que, se você fechar a
torneira e ensaboar todos os pratos, talheres, copos e panelas, e
só abrir quando for enxaguá-los, terá economizado água suficiente
para mais quatro jantares.
Mas ninguém se dá conta de que outra atitude ao lavar a louça
contribui para a poluição da água. O uso de detergentes
não-biodegradáveis, os mesmos que deixam os utensílios domésticos
limpíssimos, causa sérios prejuízos aos rios e córregos quando caem
na rede de esgoto.
Você já deve ter reparado na espuma densa que flutua sobre a
superfície de alguns rios poluídos. É comum, por exemplo, ver espuma no Rio Tietê, em São Paulo. Mas não
significa que esse cenário seja normal. O detergente acumulado não
é diluído porque suas moléculas não são destruídas por
microorganismos presentes na água.
E essas espumas, conhecidas como "cisnes de detergentes", causam
grandes estragos na natureza. Ao impedir a entrada de oxigênio na
água, afetam gravemente a vida nos rios.
A poluição nos rios pode ser reduzida com um gesto simples:
trocando o detergente por sabão de barra, fabricado com álcalis e gordura vegetal, cujas moléculas são
quebradas pelas enzimas produzidas pelos microorganismos presentes
na água. Como essas enzimas não reconhecem as cadeias dos
detergentes, as moléculas desses produtos permanecem na água sem
sofrer decomposição, por isso são considerados
não-biodegradáveis.
Além do sabão em barra comum, existem outras opções que poluem
menos a água. Um exemplo é o detergente feito por ingredientes
naturais, ao contrário do detergente comum, cuja produção utiliza
substâncias derivadas do petróleo. Ainda que seja mais caro, ele
produz menos espuma. Mas, se você não quiser gastar tanto, existem
algumas receitas caseiras simples que agridem menos o
meio ambiente.
No entanto, se grandes quantidades de esgoto são jogadas no
rio, nem mesmo o sabão biodegradável pode ser destruído pelos
micro-organismos. Caso a água esteja extremamente poluída, não há
oxigênio para que as bactérias realizem a respiração aeróbica e
produzam enzimas capazes de quebrar as moléculas de sabão.
Crédito foto: Mauricio Simonetti