16/12/2010

Navegar é preciso

Jangada guarda sofisticação no aspecto primitivo e caracterizou as comunidades caiçaras do Nordeste

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Jangadeiro tornou-se uma figura mítica, que Câmara Cascudo chamou de "profissional do
silêncio"

No litoral brasileiro, cuja extensão ultrapassa 9 mil quilômetros, e na infinidade de rios que permeiam o território, podemos encontrar a diversidade do acervo naval do país. Cada região constrói e adapta seus barcos às suas condições e aos fins desejados. Igarités, botes, canoas, tudo perdura até hoje, mesmo em meio a tantos avanços tecnológicos. Na exposição Água na Oca, o visitante pode ver uma típica canoa utilizada por caiçaras da região de Santos e São Sebastião, no litoral paulista, uma parte da variedade dos barcos brasileiros.

Mas é no Nordeste que encontramos umas das mais características e conhecidas embarcações brasileiras. A jangada, de origem asiática, chegou a terras tupiniquins sobretudo nos dois primeiros séculos de colonização. Hoje elas estão em plena atividade nessa região e tornaram-se parte da cultura local.

O meio de transporte é uma embarcação rasa, feita em uma plataforma composta por troncos de madeira e paus que suspendem a vela, ligados por meio de cordas. Tradicionalmente, os componentes da jangada são feitos de maneira artesanal, mas o aspecto primitivo esconde tremenda sofisticação tecnológica. A vela triangular da jangada envolve uma série de efeitos avançados, relacionados à dinâmica dos fluidos. Ela permite navegar contra o vento, mas depende essencialmente da presença do jangadeiro, que fica atento aos movimentos e à velocidade do ar.

Muitos se impressionaram e deixaram registros sobre as jangadas. O baiano Dorival Caymmi compôs canções como "A jangada voltou só" e "Suíte de pescador". A embarcação também foi tema de filme do norte-americano Orson Welles, que veio ao Brasil em 1942 e registrou - além do Carnaval - uma histórica viagem de quatro homens numa jangada.

Veja aqui um trecho do documentário de Orson Welles.

O jangadeiro, inclusive, é tratado como figura mítica em Jangada - Uma pesquisa etnográfica, do folclorista Luís da Câmara Cascudo. O autor mostra um estudo da vida do jangadeiro, destacando aspectos curiosos como religiosidade, superstições e lendas e relata o caráter reservado desses homens do mar: "É profissional do silêncio".

Crédito foto: SambaPhoto/Ed Viggiani

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