14/03/2011
NOTÍCIAS
Pegada do arroz
Anualmente, gastam-se cerca de 784 trilhões de litros de água na produção de arroz
O arroz é um dos produtos que mais consomem água no mundo. É um
dos alimentos principais das mais variadas culturas, sendo o mais
importante na Ásia Meridional e na África. Entre 2000 e 2004,
o mundo produziu 592 milhões de toneladas de arroz - o Brasil foi
responsável por 1,9% do total.
Os pesquisadores Ashok Chapagain e Arjen Hoekstra, este último o
criador do conceito da
pegada hidrológica, estudaram os gastos de água envolvidos na
produção do arroz.
No artigo em que publicaram sua pesquisa, eles destacam que, a
cada ano, o mundo gasta 784 km3 de água só com arroz (1 km3
corresponde a 1 trilhão de litros), o que equivale a 1.375
m3/tonelada.
O cultivo do arroz demanda tanta água porque exige não apenas
que a terra fique úmida, mas que haja uma camada líquida sobre o
solo das plantações. Em regiões que produzem muito arroz, as
culturas são realizadas nos períodos mais úmidos, o que diminui os
gastos de água com irrigação.
Além disso, o uso de fertilizantes contamina essa água toda, o
que em tese exigiria mais líquido para diluí-los e tornar essa água
limpa antes de ser devolvida ao ambiente (na prática, os produtores
devolvem essa água contaminada. A diluição ocorre à custa de
todos). A esse gasto para limpeza se dá o nome de "pegada cinza",
que no caso do arroz é muito difícil de reduzir, pelo menos
enquanto se utilizarem fertilizantes artificiais em larga
escala.
Com tanta água virtualmente utilizada em sua produção, o
comércio de arroz no mundo resulta numa enorme exportação de água
entre os países. Nos primeiros quatro anos da década passada, esse
comércio equivaleu à venda internacional de 31,1 bilhões de m3 de
água virtual por ano.
"Como os sistemas de irrigação geralmente são subsidiados e a
escassez de água nunca é traduzida num preço, os custos econômicos
e ambientais dos gastos de água nos cultivos de arroz não estão
embutidos no preço do produto", analisam os pesquisadores.
Ainda que timidamente, ocorrem mudanças no sentido de tornar o
cultivo de arroz mais sustentável no longo prazo. Na Índia, por
exemplo, há um escritório do Ministério da Agricultura que
toma decisões sobre a área de arroz a ser colhida, os trechos que
deverão ser irrigados, entre outros assuntos. Esse órgão também se
responsabiliza pela difusão das melhores práticas de cultivo, o que
diminui a pegada hidrológica nas produções - em se tratando do
segundo maior produtor de arroz do mundo, é algo a comemorar.