09/02/2011

NOTÍCIAS

O Parlamento das águas

Os comitês de bacias hidrográficas desempenham um papel relevante na preservação dos recursos hídricos
Da Redação da Revista Cyan


Paranoa_500
Na bacia hidrográfica do rio Paranoá, no Distrito Federal, que está sendo recuperada com
apoio da Ambev, encontra-se um dos mais de 150 comitês existentes no Brasil

Deliberar sobre a gestão da bacia hidrográfica, verificando que problemas a afetam e quais são as melhores propostas para solucioná-los. Esta é, resumidamente, a missão dos mais de 150 comitês de bacias existentes no país.

Formados por membros da sociedade civil (universidades, centros de pesquisas, ONGs, etc.), poder público (federal, estadual e municipal), usuários (empresa de água e saneamento, indústria, agricultura, pesca, irrigação, etc.), entidades e outros grupos que atuam na bacia, os comitês têm grande potencial de articulação de diferentes segmentos.

"Eles são um espaço público no qual estão inseridos atores diferentes que dialogam em prol de um objetivo comum: a gestão da bacia", destaca o biólogo Angelo Lima, técnico do WWF-Brasil, especializado em conservação de água doce. O WWF-Brasil é parceiro do Movimento Cyan no projeto Bacias.

O especialista em gestão de recursos hídricos Sérgio Augusto Ribeiro, analista sênior do Programa Água para a Vida do WWF-Brasil, complementa: "Os comitês de bacias são como um parlamento das águas".

Os membros do comitê são responsáveis pelo acompanhamento da execução do Plano de Recursos Hídricos da bacia e têm o poder de arbitrar os conflitos relacionados aos recursos hídricos. "As deliberações", ressalta Lima, "são tomadas segundo estudos realizados pelos próprios comitês".

Um dos grandes desafios dos comitês é sua sustentação financeira. É deles a incumbência da indicação dos valores a serem cobrados pela água da bacia, com o objetivo de custear os projetos que eles mesmos desenvolverão. Mas isso nem sempre é suficiente - ou possível.

"Os comitês brasileiros têm realidades diversas de implementação. Alguns estão num estágio de maior legitimidade, outros só começaram seus trabalhos, enquanto um terceiro grupo ainda não realizou nenhuma intervenção", comenta Augusto.

A fim de proporcionar um espaço para troca de experiência entre os membros dos diversos comitês brasileiros, foi realizado no ano passado o XII Encontro Nacional de Comitês de Bacias Hidrográficas (Encob).

No evento, que reuniu 1.200 pessoas, foram apresentados vários exemplos de gestão de bacias. Uns inspiraram os outros, numa reunião de esforços de elevada importância para as bacias e recursos hídricos brasileiros. Um novo encontro está previsto para ocorrer este ano em São Luís, no Maranhão.

Para acessar a relação de comitês de bacias espalhados pelo país, clique aqui.

Crédito foto: LatinContent/Getty Images

 

Deixe aqui seu comentário enviar |
Vista aérea do córrego do Crispim, feita a partir do balão do WWF-Brasil
Feito com estrutura de bambu, o viveiro será mantido e cuidado pela comunidade local
Feito com estrutura de bambu, o viveiro será mantido e cuidado pela comunidade local
A expedição visitou o início do córrego Crispim, a poucos metros da nascente, onde a água nasce límpida
Integrantes da expedição recebem informações de técnico da Companhia de Saneamento de Brasília (Caesb) sobre a nascente do Crispim e sobre a captação de água no local
Os incêndios são frequentes no entorno do córrego do Crispim, degradando a vegetação que protege o curso de água.
Travessia do córrego, rumo à foz.
Por falta de segurança e contaminação das águas, a população local deixou de frequentar as belas cachoeiras que se formam na foz do córrego Crispim, onde ele se junta ao córrego Alagados
Incêndios florestais são comuns à beira do córrego: um problema que o Projeto Bacias buscará minimizar.
Integrantes da expedição caminham rumo à foz do Crispim.