27/12/2010

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DF abriga fenômeno raro

De uma mesma pequena lagoa, nascem dois rios que vão compor bacias hidrográficas diferentes: são as Águas Emendadas


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Trecho do córrego Vereda Grande, que nasce junto com o córrego Brejinho

As duas maiores bacias hidrográficas da América Latina, a Amazônica e a Platina, têm uma nascente em comum no Distrito Federal (DF). Trata-se de uma lagoa de onde nascem dois córregos, Brejinho e Vereda Grande, que correm em direções diferentes e vão fazer parte, cada um, de uma das bacias.

As águas do córrego Vereda Grande vão rumo ao norte e chegam no rio Maranhão, que deságua na Lagoa da barragem de Serra da Mesa. Daí fluem pelo rio Tocantins, o qual se junta com o rio Araguaia e deságua no Atlântico, mais exatamente na foz do rio Amazonas.

Já o Córrego do Brejinho segue ao sul, engrossando outro córrego, o Fumal. Então o Fumal deságua no rio Pipiripau, que conflui com o rio Mestre d'Armas e forma o rio Bartolomeu. Segue-se rumo ao rio Corumbá, então ao rio Parnaíba, que forma o rio Paraná junto ao rio Grande. Após um itinerário tão extenso, as águas chegam no estuário do Prata.

Por sua importância, inclusive simbólica, o entorno das Águas Emendadas se tornou uma unidade de conservação, localizada a 50 quilômetros de Brasília. A Estação Ecológica Águas Emendadas é uma área de 10.547 hectares, criada em 1968. A UNESCO declarou, em 1992, que trata-se de uma área nuclear da Reserva da Biosfera do Cerrado.  Na estação só é permitida a entrada de pesquisadores e outros grupos com fins educacionais.

O fenômeno de dispersão das águas descrito é bastante raro. Segundo Gustavo Macedo de Mello Baptista, professor adjunto da Universidade de Brasília (UNB), "a observação de diversas paisagens brasileiras permite encontrar alguns pontos de encontro de águas que lembram o fenômeno da Estação Ecológica, mas, pelo menos naqueles que conhecemos, não identificamos as particularidades de Águas Emendadas."

A singularidade do local reside principalmente no fato de, "a partir de uma vereda de 6km, num terreno extremamente plano, origina-se uma drenagem, o Córrego Brejinho, e outra drenagem, a do córrego Vereda Grande".  A análise de Baptista se encontra no livro Águas Emendadas, no qual Fernando Oliveira Fonseca organizou vários textos sobre o fenômeno.

Outro dos textos do livro fala de dados da Unesco de 1995 que listam os problemas que mais impactam a Estação Ecológica de Águas Emendadas. Tais questões são referentes a ocupação crescente do entorno, o que tem gerado desmatamento, poluição dos córregos e captações de água nas nascentes para o abastecimento.

Crédito foto: Evando Ferreira Lopes

 

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Vista aérea do córrego do Crispim, feita a partir do balão do WWF-Brasil
Feito com estrutura de bambu, o viveiro será mantido e cuidado pela comunidade local
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Os incêndios são frequentes no entorno do córrego do Crispim, degradando a vegetação que protege o curso de água.
Travessia do córrego, rumo à foz.
Por falta de segurança e contaminação das águas, a população local deixou de frequentar as belas cachoeiras que se formam na foz do córrego Crispim, onde ele se junta ao córrego Alagados
Incêndios florestais são comuns à beira do córrego: um problema que o Projeto Bacias buscará minimizar.
Integrantes da expedição caminham rumo à foz do Crispim.