14/12/2010

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Mudanças climáticas ameaçam recursos hídricos

Carta produzida por representantes de comitês de bacia pede atenção aos riscos representados pelo aquecimento global


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A oficina que gerou a carta de propostas durou três dias e contou com mais de 50
participantes

A discussão sobre o aquecimento global, seus desafios e formas de enfrentá-los devem fazer parte da pauta cotidiana dos comitês de bacias. Essa é a principal conclusão do documento produzido ao final de uma oficina que reuniu representantes de diversas bacias hidrográficas do país e teve a participação de integrantes do Comitê de Bacia do Paranoá, a convite do Movimento CYAN. O evento foi parte das atividades do XII Encob (Encontro Nacional de Comitês de Bacias Hidrográficas), que ocorreu entre 2 e 26 de novembro em Fortaleza.

Na oficina os representantes de bacias tiveram a chance de trocar experiências desenvolvidas em várias bacias espalhadas pelo Brasil. "Desde o início os participantes estavam ansiosos para entender de que forma as experiências se concretizaram", explica Angelo Lima, técnico da WWF-Brasil.

O Movimento Cyan convidou André Miccolis, diretor do Instituto Sálvia, e Leider de Oliveira, diretor do Ibram (Instituto Brasília Ambiental), para participarem da oficina. Ambos são membros do comitê da bacia do rio Paranoá, apoiado pelo Movimento Cyan em parceria com a WWF-Brasil.

No final da atividade de três dias, os mais de cinquenta participantes listaram algumas propostas, inicialmente agregadas num documento chamado Carta de Fortaleza, nome que será alterado. "É o posicionamento de um conjunto de representantes de comitês para precaver várias instâncias da sociedade, desde o governo até outros comitês", conta Lima. As recomendações ainda serão aprimoradas pelos participantes. Antes da divulgação, passarão por mais crivos, como o do Conselho Nacional de Recursos Hídricos.

Uma das recomendações presentes na carta se refere à necessidade de que a discussão das mudanças climáticas seja incluída no Plano Nacional de Recursos Hídricos. Isso é fundamental, porque as mudanças climáticas afetam diretamente as bacias hidrográficas. De acordo com estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), por exemplo, essas mudanças no clima decorrentes do aquecimento global poderão até mesmo diminuir a capacidade de energia hidrelétrica em algumas regiões.

Outra indicação versa sobre a importância da análise das vulnerabilidades das bacias, algo essencial tanto para verificar quais bacias estão em situação mais crítica quanto para embasar as ações mais prioritárias.

Crédito foto: Glauco Kimura de Freitas

 

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Vista aérea do córrego do Crispim, feita a partir do balão do WWF-Brasil
Feito com estrutura de bambu, o viveiro será mantido e cuidado pela comunidade local
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Integrantes da expedição caminham rumo à foz do Crispim.