25/08/2010
NOTÍCIAS
Iniciativa vai mapear lideranças locais
Pesquisa ajudará a fazer um diagnóstico dos principais desafios e oportunidades existentes na bacia do Rio Crispim.
Grupo de mulheres faz reconhecimento de mapa da microbacia
do córrego do Urubu,
que foi mapeado com a mesma metodologia que será aplicada no Rio
Crispim.
O Movimento CYAN, em parceria com o WWF-Brasil e com o
Instituto
Internacional de Educação do Brasil (IEB) , irá mapear a partir
de setembro as lideranças existentes na microbacia hidrográfica do
Rio Crispim, para identificar e entender os desafios e as
oportunidades existentes na região, a partir da visão dos próprios
moradores e atores locais.
A pesquisa faz parte do projeto de Recuperação de Bacias, que pretende
recuperar e melhorar a gestão em todas as bacias hidrográficas onde
estão localizadas as 34 fábricas da Ambev no Brasil. A Bacia do Rio
Crispim, no Distrito Federal, foi escolhida como piloto do projeto
para aprendizado e desenvolvimento de tecnologias sociais e
metodologias.
Batizada de ecomapeamento, a pesquisa será realizada em duas
frentes. Por um lado, serão identificadas e entrevistadas as
principais lideranças locais, ou seja, pessoas ou instituições que
atuam pela transformação da realidade local. Podem ser líderes de
comunidades, jovens organizados em grupos culturais ou professores
que articulam projetos em suas escolas. "Conversamos para saber
como eles atuam, com quem têm parcerias, que facilidades e
dificuldades encontram", diz a antropóloga Viviane Junqueira dos
Santos, assessora de comunicação institucional do IEB. "Queremos
saber quem já está ligado com quem, se há conflitos, as lacunas, as
complementaridades. Depois, isso vai servir para criar uma rede de
lideranças que atue em conjunto", afirma Viviane.
Na outra frente, será aplicada uma pesquisa quantitativa com uma
amostra representativa da população local, com o objetivo de
entender os desafios socioambientais locais, como a qualidade da
água, do tratamento do lixo, da mobilidade, entre outros temas
importantes para a população.
Até novembro, o conjunto de dados das duas pesquisas dará origem a
um diagnóstico completo das ameaças e oportunidades, fraquezas e
forças existentes no entorno da bacia hidrográfica do Rio Crispim.
"Por ser feito a partir das informações da comunidade, o
ecomapeamento ajuda a ter um retrato mais realista da situação",
diz Viviane.
Os próximos passos deverão ser definidos a partir da conclusão
desse mapeamento. A princípio, a etapa seguinte seria um convite às
lideranças para conhecerem o diagnóstico e realizarem em conjunto
um plano de ação pela melhoria da realidade. "Mas nossa experiência
diz que é melhor concluir o mapeamento antes de desenhar as etapas
futuras", afirma Viviane.
A antropóloga fala com experiência. Também em parceria com o
WWF-Brasil, participou de uma ação semelhante de educação ambiental
pelo IEB, considerada um sucesso, na bacia do córrego do Urubu,
também no Distrito Federal. "Lá, por exemplo, fizemos um mutirão
para desassorear a cachoeira no Urubu. Identificamos um
engenheiro da região que tinha conhecimento sobre o assunto e
que deu orientação às equipes do mutirão, além de coordenar o
trabalho. Vamos absorvendo para o projeto as habilidades e
conhecimentos de cada pessoa da rede", informa Viviane.
Segundo a antropóloga, a temática ambiental facilita o processo,
pois tem o poder de integrar as pessoas. "A partir do momento em
que elas se reúnem e se articulam, ganham maior potência de ação. É
muito difícil fazer qualquer coisa sozinho", conclui Viviane.